“Tu tens certeza dos teus sentimentos?” Fui acordado um dia destes por esta pergunta. Detalhe: não era o meu inconsciente me questionando, mas sim, alguém por quem tenho demonstrado um profundo sentimento de paixão, amor e vontade de estar sempre junto.
A pergunta não poderia ser respondida senão com outra pergunta – “tu estas inseguro comigo? Não vamos estragar o que está muito bom!” E assim me deparo com um problema que impera sobre a maioria dos relacionamentos – o ciúme.
O ciúme é normal quando o consideramos como uma forma de correspondência passageira à intensidade de amor em determinado momento do relacionamento amoroso pessoal, não interferindo na vida e no relacionamento das pessoas envolvidas.
Ele passa a ser considerado anormal quando o amor entre duas pessoas visa o preenchimento narcísico daquele que sente ciúme. Para estas pessoas é muito difícil para não dizer quase impossível desenvolver e cultivar um amor verdadeiro, pois todas as suas relações (inclusas as de amizade) baseiam-se no cultivo de uma necessidade preencher um vazio próprio. Poderíamos dizer que elas não amam, apenas si amam.
Este tipo de ciúme não aparece enquanto o ciumento entender que todas as suas necessidades de amor e atenção encontram-se preenchidas. A partir do momento que ele as deixa de perceber (por exemplo, devido as demandas profissionais do parceiro) ou as vê ameaçadas por terceiros (novos relacionamentos de amizade, sentimentos de competição com os do sexo oposto, etc.), o ciúme começa a dominar e a minar sua vida, seus relacionamentos, seu trabalho.
Durante os ataques de ciúme poderemos observar uma mistura de sintomas como depressão, agressividade, inveja, ansiedade, angústia, medo (de perder o seu amor), baixa auto-estima. Estas condições que predispõem uma pessoa ao ciúme patológico também podem se mostrar de outra forma: no relacionamento com pessoas que o ciumento julga serem inferiores a ele, geralmente se mostram perfeitamente normais, mas quando se relacionam com pessoas que ela julga serem superiores a si (no intelecto, socialmente, profissionalmente, culturalmente, etc.), é comum o resgate de sentimentos como o serem esmagadas, pisoteadas, humilhadas.
Nestes casos o indivíduo se estrutura dentro de um mecanismo de defesa que visa evitar as situações de risco, passando a se relacionar apenas com pessoas que preencham suas necessidades e não ofereçam risco. Sente-se segura e em suas fantasia inconsciente sabe (ou pensa) que não irá sofrer.
É um trabalho pesaroso, lento e problemático para que estas pessoas percebam seu comportamento, trabalhem e mudem sua estrutura narcísica e reconstrua uma autoestima mais favorável. Muitos desistem no meio do caminho, outros passam a colecionar analistas e terapias as mais diversas para seu problema durante sua vida. Mas outro ponto tão importante quanto e que não deve ser esquecido nestes tipos de relacionamentos é justamente o outro, o parceiro do ciumento. Não podemos lembrar sempre apenas do ciumento e esquecer seu parceiro(a), pois caberá a ele a decisão de se deve tentar seguir ou não com este relacionamento.
Enfim... Nem tudo que reluz é ouro. E amar é correr riscos, sempre...
http://www.youtube.com/watch?v=d25Ok51kwME
ResponderExcluirElza Soares comentando o tema.